metodologia

METODOLOGIA

Para responder aos desafios deste estudo, foi desenhada uma estratégia de investigação qualitativa, baseada em observação multissituada recorrendo a um método de amostragem de “bola de neve”, permitindo a identificação tanto de participantes como de facilitadores.

Esta abordagem parece-nos a mais adequada, por duas razões principais.

  1. Em primeiro lugar, trata-se de uma realidade desconhecida, invisível e pouco acessível ao exterior, que precisa de ser abordada com especial cuidado metodológico, dado o seu carácter normativamente alternativo ou transgressor. 
  2. Em segundo lugar, os contextos, grupos e práticas encontram-se dispersos, pelo que devem ser abordados em diferentes contextos, seguindo um processo de seleção para filtrar a sua relevância para cada tipo de estudo de caso.

Em termos concretos, para além de observação exploratória e recolha de informação documental, o presente projeto assenta na observação de dois tipos de estudos de caso: 

  1. Práticas, grupos e contextos que utilizam SP com uma orientação espiritual explícita (e.g., cerimónias, retiros ou eventos com PS), fora de movimentos religiosos ou outros movimentos organizados;
  2. Práticas, grupos e contextos que utilizam SP sem uma orientação espiritual explícita (e.g., reuniões privadas, encontros informais ou festas), mas em que a componente espiritual pode estar subjacente nas intenções dos participantes e no imaginário presente.

Para além de observação, o método principal de recolha de dados assenta em entrevistas em profundidade, seguindo um guião semiestruturado, realizadas junto de participantes, facilitadores e especialistas no tema de SP – neste último caso, com o intuito de explorar sobretudo os aspetos ético-legais mencionados. As entrevistas possibilitam o acesso aos discursos e justificações, permitindo reconstituir trajetórias e narrativas.

Os dados recolhidos serão analisados de forma integrada, seguindo um conjunto diversificado e flexível de métodos qualitativos, tendo em conta a natureza da informação e dos materiais obtidos em cada fase do projeto.

Dada a natureza das práticas em questão, todos os métodos de recolha e análise de dados serão alvo de cuidados adicionais, nomeadamente na forma como os participantes são abordados, apresentando os objetivos da investigação e solicitando o seu envolvimento – incluindo o consentimento informado –, na forma como a informação será registada e divulgada, mas também na negociação do acesso aos contextos e à observação dos eventos, respeitando integralmente os requisitos de confidencialidade, privacidade e anonimato e as normas legais aplicáveis. 

O presente projeto obteve aprovação por parte da Comissão de Ética da NOVA FCSH.